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"No More Tears", apenas gratidão. Obrigado Ozzy!

Estava eu hoje no trânsito ouvindo música, quando me deparo com a notícia que nenhum roqueiro gostaria de ouvir: Ozzy Osbourne morreu. Agora, só nos resta agradecer pelo legado deixado.

Ainda me lembro que as primeiras músicas do Ozzy que ouvi, foi em meados dos anos 1990, quando escutava em vinis ao lado de meu pai e esse momento ficou gravado em minha memória.

Naquele momento, eu não sabia pronunciar o nome da banda (Black Sabbath), dos discos, e sequer entendia o que diziam as músicas, porém, além das capas que me chamavam atenção, tinha a voz intensa, os gritos que parecia uma invocação e um olhar intenso daquele homem que mudou o rumo do Heavy Metal: Ozzy Osbourne.

Lembro-me que quando meu pai voltava do serviço, ele escolhia cuidadosamente um disco de vinil e ali iniciava uma das melhores partes da minha infância.

A agulha mal tocava o vinil, e já éramos capturados por uma energia que vinha de um lugar onde o medo e a coragem andam de mãos dadas.

Ozzy era isso. Um grito que não queria nos assustar, mas nos acordar. Ao mesmo tempo, um profeta do caos, que nos dizia que mesmo nas trevas pode haver poesia. Que mesmo quem se sente à margem tem o direito de cantar — e alto.

Black Sabbath, Paranoid, Sabbath Bloody Sabbath, War Pigs, Iron Man, N.I.B, Changes, Crazy Train, Mr. Crowley, Mama, I’m Coming Home e No More Tears foram algumas das músicas que escutava e ecoava em minha mente, como se eu fosse transportado para outro mundo.

Hoje, saber de sua partida, foi como ouvir um disco riscado, escutando um ruído estranho, ou simplesmente um silêncio longo demais, como se o mundo do rock parasse por um tempo.

Ainda este mês, talvez como uma despedida, não apenas dos palcos, mas da vida, ali estava Ozzy, com os olhos marejados, ao mesmo tempo que emocionava milhões de pessoas mundo afora, e mal poderíamos imaginar que o Príncipe das Trevas iria partir assim.

Mesmo com uma tristeza pela partida Ozzy, que como dito acima, nos deixou um grande legado, não poderia ficar apenas lamentando, foi a hora de relembrar da minha infância, dos vinis que continuam lá, meio empoeirados, das vezes em que fazia lição de casa ao som de Ozzy e de Black Sabbath, depois mais velho, escutando nas fitas, no diskman, CD, mp3, e por aí vai.

Hoje foi o dia para ouvir muitas de suas grandes obras e apreciar o trabalho majestoso de um "príncipe". A obra de um cara que mudou a vida de muitas pessoas.

Valeu, Ozzy. Por cada acorde, por cada grito, por ter sido mais do que um ídolo no rock. Por ter sido parte da trilha sonora da minha vida.